quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

VOLVER...

Volver, se refere ao retorno a terra natal, a longa e cansativa viagem de volta, aquela estrada que parecia interminável, vista da boléia do caminhão que trazia a mudança, minhas panelas, meus livros e camas, para o novo lar, nova vida. A ânsia e expectativa da volta, as lembranças, as saudades, os cheiros, foram as inspirações para essa poesia...

Faltavam poucos quilômetros.
Finalmente estava chegando à Uberlândia!
Após alguns anos ausente, enferma de saudade,
já antegozava a beleza daquela paisagem,
paisagem tão amada da terra oriunda,
a terra que só soube amar, após deixar...
O peito parecia diminuir,
enquanto o coração crescia,
era como se a qualquer momento,
fosse quebrar as amarras de sua cavidade,
desprendendo-se da vida,
por não dar conta da emoção...

Já quase podia sentir o cheiro da terra,
com suas misteriosas matas,
levemente cobertas pelo rubro pó
do chão estorricado pelo estio...
As árvores desfolhadas, os troncos nus,
soltando as cascas num estalo seco e,
quando vem a chuva, emana de suas entranhas,
o perfume dos Deuses...

Do âmago de meu ser, crescia o anelo,
de embrenhar seus mistérios,
a vegetação aérea do cerrado,
com árvores de galhos tortuosos,
intercalando-se com as ervas daninhas rastejantes,
das Maria-fecha-a-porta, aos Anis picantes...
As nascentes de água cristalina,
deitadas em pedras pontiagudas,
uniformemente irregulares,
revestidas pelo grosso lodo do tempo,
brotadas de vida verdejante...

Num emaranhado de reminiscências,
em minha memória desfilam cenas da infância,
os longínquos belos dias do nada fazer,
do nada pensar, do nada sofrer, feliz só ser...
Andar descalça no capim morno molhado,
o mais puro deleite...
Rodar os pés na lama quente, fazendo círculos,
para atrair de novo o sol, mandando embora a chuva...
Os piqueniques domingueiros,
colher e comer os frutos silvestres,
a Gabiroba mais doce, e quase se entalar,
com o concentrado Jatobá...
As brincadeiras de Tarzan,
trepar suas árvores, improvisar o cipó,
se soltar no espaço, cair e se esfolar
ao desatar o nó...

A brisa morna batendo em meu rosto,
traz-me de volta a realidade,
fazendo-me estremecer de alegria.
Cheguei!!!
Já não é mais um sonho,
retorno agora às minhas raízes.
Por favor, terra querida,
acalente-me em teu seio,preciso ancorar em teu regaço...
Celena Carneiro

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