Em uma Escola de Educação Infantil, daquela periferia, um menino negro com mais ou menos quatro anos de idade, ficou mais de uma hora dentro do banheiro, aguardando uma pessoa para lavá-lo, pois, teve dor de barriga e fez cocô na roupa, dentro da sala de aula.
A professora Fátima procurou a diretora Carmem para solucionar o grande problema, pois, ela, como professora, não iria lavar o garoto.
A diretora Carmem saiu pela escola à fora procurando a faxineira Marieta, para ir lavar o garoto.
A faxineira Marieta esquivou-se dizendo que tinha muito trabalho e não era sua função dar banho em criança, principalmente, estando essa criança cagada.
Enquanto isso o garoto continuava lá no banheiro, esperando...
Rapidamente a notícia se espalhou, num instante toda a escola sabia que havia um menino sujo de merda dentro do banheiro.
Marta estava preparando a sala de repouso para suas crianças dormirem, após o almoço, quando a tia Salete chegou e contou-lhe o que estava acontecendo, disse ainda, que não iria limpar o menino, porque estava em seu horário de almoço.
Imediatamente, Marta, penalizada e indignada, foi em socorro da pobre criança, que estava todo aquele tempo fechado dentro do banheiro.
Ao entrar no banheiro, encontrou-o agachadinho no canto, os belos olhos negros apavorados, parecia um animalzinho ferido e, estava mesmo muito ferido.
Enquanto dava-lhe o banho, Marta tentou amenizar sua dor falando-lhe com carinho e cumplicidade, até inventou que uma vez, quando era criança, também fez cocô na roupa dentro da escola.
CAGADO
Quando sua barriga doeu e,
o intestino desarranjou
não teve tempo de ir ao banheiro,
na sala de aula esmerdiou.
A professora ficou enojada,
tapou o nariz, a testa franziu
o cheiro fétido das fezes,
toda sala sentiu.
Sua pele negra empalideceu,
parecia um bichinho acuado
uma lágrima, em sua face correu,
ao ver que estava todo cagado.
Envergonhado pelo sarro dos colegas,
a algazarra que a situação provocou
foi deslizando até o banheiro,
deixando em sua passagem
um rastro de cocô.
Quando, finalmente, foi socorrido,
por uma tia gentil,
que o lavou com carinho,
um alívio enorme
seu coração sentiu.
Celena Carneiro
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
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