A professora falava sobre a História da Educação no Brasil, desde o Período Colonial. Uma aula tremendamente enfadonha, onde a professora fazia comparações depreciativas do Brasil em relação à Europa. A aula foi se arrastando, pateticamente, e essa professora, com um discurso decorado e, repetitivo, de que precisamos formar cidadãos críticos, ia desfiando criticas ao nosso país. Fiz alguns questionamentos em defesa do Brasil, disse que não concordava com as absurdas comparações de nossa história com a cultura milenar européia. História é experiência de cada um, de cada povo, não pode ser comparada.
A professora distorceu minhas palavras e, na seqüência da aula, por varias vezes, ela fez alusões irônicas aos meus comentários, como se eu não soubesse ou estivesse iludida, com relação ao processo degradante pelo qual passamos, na época de nossa colonização.
Os portugueses, todos sabem, quando chegaram ao Brasil dizimaram nossos índios, roubaram nossas riquezas, fomos explorados, escravizados, violentados barbaramente, portanto, não posso concordar que em uma sala de aula, em um curso de pedagogia, uma professora, ainda hoje, fique tentando nos inferiorizar. Isso não é querer formar cidadãos críticos, mas sim tentar diminuir, ainda mais, a auto-estima, daqueles que se deixam influenciar por esse tipo de argumentação nefasta, achando que denegrindo a imagem de nosso país, justifica a má qualidade da educação que é aplicada em nossas escolas.
Eu não trabalho na educação, ou melhor, não trabalho em escolas, porque com a educação, de uma forma ou de outra, todos nós trabalhamos e, como educadora percebo que, existem professores muito despreparados para lidar com a educação, com essa mania de estrangeirismo, sempre fazendo comentários avacalhando o Brasil, incutindo essa educação perversa de rejeição nas crianças, que já vão crescendo renegando a própria pátria, preconceituosas e com baixa auto-estima.
Temos inúmeros problemas no Brasil, não estou querendo florear nossa realidade, tenho consciência de nossas mazelas, e, sei, também, que não é privilegio apenas nosso, toda nação tem as suas, mas, acho que um educador precisa ter o cuidado, o discernimento e, afeto ao lidar com seus alunos. Não é justo ferir, destruir a dignidade e o sentimento de pertencimento, que toda pessoa traz em sua essência.
Somente com respeito e ética, podemos formar cidadãos críticos e conscientes de sua história, sem omitir a verdade, mas, informando com sensibilidade.
O professor ao contar nossa história para os alunos, precisa ter uma postura digna, falar das atrocidades que sofremos ao longo desse primeiro período, mas, dar ênfase ao nosso poder de recuperação e coragem para vencer os obstáculos.
Falar de nossos heróis, de nossas potencialidades, de nossas belezas. Despertar nesse aluno o orgulho de ser brasileiro, o amor pela sua terra. Essa professora precisa rever seus valores, principalmente com relação à educação, antes de ir para uma sala de aula, de futuros educadores, pessoas que vão lidar com crianças, com adolescentes e jovens, pessoas que estão ali com idéias de mudanças, cheias de sonhos, fazendo planos, projetos, entusiasmadas e, de repente, chega uma professora desestimulada, sem idealismo, jogando fel por onde passa, com sua amargura.
Celena Carneiro
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
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