domingo, 3 de janeiro de 2010

QUE MÉDICO É ESSE?

Naquela madrugada, no pronto socorro do UAI Martins, sofrendo dores devido à uma crise de vesícula, eu o vi chegar. Devia estar iniciando seu plantão, pois, eu ainda não o tinha visto naquele período de duas horas, que ali permaneci.
Entrou na saleta medicamentosa onde os pacientes, como eu, tomavam a medicação, se dirigindo a cada um dizendo:
___ Bom dia! Conte-me o que aconteceu, qual foi o seu problema?
Possuía uma fisionomia boa e interessada, ouvindo atentamente as queixas, individualmente. Ao término das narrativas queixosas ele orientava e esclarecia as dúvidas do paciente, quanto ao novo passo a ser seguido.
No dia seguinte, tive que passar por nova avaliação médica.
Era ele!
Enquanto aguardava no corredor, pela minha vez de entrar no consultório, seguia, pela sombra, sua movimentação lá dentro com o paciente.
Então eu pensei:
Que médico é esse, que consegue se levantar de sua mesa e pedir ao paciente que se deite na maca para examina-lo?
Que médico é esse, que inicia seu plantão em uma Unidade de Saúde Pública, em plena madrugada, e antes de se sentar em sua mesa, vem à sala de medicação cumprimentar os doentes e saber seu histórico?
Que médico é esse, que procura se inteirar, pessoalmente, o que está acontecendo, quem está tomando o que, quem está sentindo o que, quem está alì?
Que médico é esse, que anda pelo corredor com um pedido de exame nas mãos, em pessoa, vai até a recepção, solicitar que tal exame seja feito, que seu paciente deve ser encaixado, pois, ele precisa desse diagnóstico laboratorial para aquele dia?
Que médico é esse, que atendeu-me as 10:00 horas da manhã e quando retornei à noite, as 22:00 horas, ainda estava lá e recebeu-me com a mesma atenção, após mais de doze horas de estafante trabalho e, ao me despedir, ele, ainda, desejou-me boa noite e bom descanso?
Que médico é esse, que após ouvir meu agradecimento, respondeu-me que, ele é que era grato?

Durante minha peregrinação pelo UAI Martins, buscando aliviar minhas dores vesiculares, pude observar o atendimento humano desse médico, no trato com as inúmeras mazelas cotidianas de um Pronto Socorro Público.
Todos nós sabemos, tanto por experiência própria, como pela veiculação da mídia, a precariedade do atendimento na saúde pública. São casos e casos de descaso total. O mau tratamento, enchem de indignação as pessoas, em sua maioria de origem simples, desrespeitadas em seu bem maior, a saúde.

É claro que, felizmente, existem exceções e eu fui agraciada por uma delas, por nome de Dr. Marcos Antonio Sahium Junior, um médico de aparência jovem, mas, que com certeza, já fez a diferença na vida de muitas pessoas e, certamente, continuará fazendo.

Esse médico está imune a Pandemia Anêmica que assola os órgãos assistenciais de saúde pública. Nessa contra mão, ele vai dirigindo com perícia e sensibilidade a grande massa de pessoas, fragilizadas pela dor física e, ou, psicológica, em busca de seu pleno direito, por uma assistência digna de sua condição humana.

Celena Carneiro

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