domingo, 31 de janeiro de 2010

EXÍLIO

Celena Carneiro

O exílio político eu não vivi, mas
trago comigo as seqüelas
da orfandade que cedo conheci
o exílio fúnebre prematuro
que minha mãe impôs a mim
degradando minha alma ao túmulo
que com ela passei a dividir

O exílio político eu não vivi, mas
“sem eira nem beira” na vida segui
como se diz por aí, caindo daqui dali
sem teto
sem suprimento e,
quando meu amor conheci
agarrei ele
grudei nele
então pensei:
___ Quem sabe ele pode minha vida suprir

O exílio político eu não vivi, mas
em cárcere privado conheci
meu algoz cavalheiro deflorador
tantas esperanças mutilou em mim
sofrida alma menina
todavia,
teimou acreditar em um porvir

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