sábado, 20 de fevereiro de 2010

SOBRE AMOR ROMANTICO...

Celena Carneiro

O amor romântico teve início no século 19, onde foi sendo colocado na vida das pessoas como a única alternativa para a verdadeira felicidade.
Foi decretado que a felicidade plena seria adquirida somente quando a pessoa encontrasse sua cara metade, sua alma gêmea, ou qualquer outro nome que se desejasse dar a esse ser que deveria torná-la perfeita, completá-la e faze-la feliz para sempre.
É claro que estamos falando dos desejos da mulher, pois, para a mulher não existia outro caminho, senão o do casamento. A única possibilidade de felicidade que havia para a mulher era encontrar um homem, um príncipe encantado, que chegaria em sua vida para salvá-la da desgraça de ficar para titia, sua sentença pela incompetência de conquistar um homem para protegê-la e ser seu herói, por toda a vida, livrando-a do frio da solidão.
A mulher vivia para o homem, casar e ter filhos eram seus sonhos mais prementes, aliás, eram seus únicos sonhos. Esse ideal era estimulado pela sociedade, pela igreja e pela família, não havia outra opção para a mulher.
As mulheres que conseguiam realizar esse sonho eram vistas como verdadeiras heroínas e invejadas pelas amigas. Ela se casou! Tinha um homem, era como um troféu. Por mais decepcionante que essa experiência viesse se revelar após o casamento, essa mulher jamais exporia seu desencanto e amargura.
Como falar da frustração da vida à dois, do casamento se, tudo aquilo que era motivo de infelicidade para ela, também, era o maior desejo de todas as mulheres, que ainda não haviam passado pela experiência do casamento?
Elas viam o casamento como a virtude maior, o ponto máximo da felicidade, a ventura idealizada por todas, o final da linha, o feliz para sempre, a conquista de tudo que se possa imaginar como plenitude.
O tempo passou.
Hoje, no século 21, a mulher começa a alçar novos caminhos.
A grande maioria ainda está, inexoravelmente, presa aos moldes de felicidade que o passado introduziu em suas mentes, lutam, ainda, para encontrarem seu príncipe encantado se iludindo.
Ainda, apesar da nossa era tecnológica, persistem na busca desse amor ideal, que irá salvá-la de todos os sofrimentos e decepções.
É a perpetuação da máscara, dos remendos, dos unguentos nas feridas, das esperanças mutiladas, da felicidade falsa, em nome de uma crença que foi colocada em nós, de tal forma, que parece entranhada no fundo de nossas almas, como uma marca à ferro quente, como se estivéssemos nascidas já com essa insígnia.
Como é possível imaginarmos, ou melhor dizendo, acreditarmos e esperarmos que uma outra pessoa possa proporcionar para nós uma relação perfeita, imaculada, fundindo-se em nós como uma só, como almas gêmeas, sabendo que essa outra pessoa é um ser comum como nós mesmas?
Como ousamos, e agora estou me referindo a homens e mulheres, em nosso egoísmo, esperarmos isso de alguém se nós mesmos sabemos o quanto de defeitos possuímos?
Esse tipo de relação, completa e paradisíaca, só existiu uma vez em nossa vida, foi a relação intra uterina, a nossa relação com nossa mãe em seu útero, onde estávamos protegidos, aquecidos e alimentados, nada nos faltava.
Esperar que alguém, seres humanos como nós, possa oferecer um amor incondicional, como esse que, já vivenciamos, é, no mínimo, uma ilusão das mais egoístas, pois, estamos exigindo algo que a outra pessoa nunca poderá nos ofertar.
Se existe um culpado, somos nós mesmos, a partir do momento que acreditamos que isso era possível e, o que é pior, cobramos essa atitude da pessoa, mas, ninguém pode dar o que não possui. Na maioria da vezes, a pessoa nem imagina de que nós estamos falando e, ou, pensando, não faz idéia de nossas expectativas em relação à ela.
Podemos ser felizes de várias formas.
Não precisamos ter alguém, constantemente, ao nosso lado para sermos felizes, a felicidade está ao nosso alcance em todos os momentos, basta sabermos olharmos para detectá-la.
A dor não é privilégio de quem optou por estar sozinho, a dor é inerente a nós, precisamos dela para nos fortalecermos, crescermos, evoluirmos. O estar sozinho não significa solidão, quantas vezes nos sentimos solitários em meio a multidão?
A vida está cheia de motivos para termos momentos prazerosos, felizes, mas, tudo é volátil.
Nada permanece inalterado, a mudança é inevitável e necessária, precisamos dela. Por essa razão devemos apreciar o aqui e agora, esse momento que estou vivenciando é o mais importante, daqui um pouco não posso saber, nem controlar.
Na verdade, a felicidade está nessa mudança de olhar, que sabemos não ser fácil, mas, é muito possível, está palpitante diante de nós, à toda hora.

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