Celena Carneiro
Assistindo ao programa Carona, da TV Integração, nesse sábado de carnaval, 13/02/10, não pude conter minha indignação diante da postura, pouco ética da apresentadora, Cecília Ribeiro, em suas entrevistas com as musas das escolas de samba do Rio de Janeiro.
A apresentadora lhes perguntava, inclusive à Luiza Brunet, madrinha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, uma dica que pudesse ensinar as mineiras sambarem.
Eu quase podia ouvir os gritos revoltosos das sambistas de nossa cidade e, de toda a região do Triangulo e, por que não dizer, de todas as sambistas de Minas Gerais, ao ouvirem, boquiabertas, proposta tão indecente.
Essa apresentadora deveria elaborar de forma mais criativa suas entrevistas, pelo menos, não colocar nosso Estado em situação vexatória.
Como uma apresentadora, que quero crer, seja mineira, ou mesmo não sendo, deveria ter uma postura profissional e neutra, vai ao Rio de Janeiro, em pleno carnaval, ou melhor, em pleno ensaio das escolas de sambas daquela cidade, mendigar uma dica para que as mineiras sambem?
Onde ela pegou essa autorização para nos representar?
Mineira não sabe sambar?
Nossas passistas, maravilhosas, não conhecem nada de samba?
Foi melancólico ver a expressão pedagógica das entrevistadas, tentando aplicarem uma aula de samba para as pobres mineiras, que, certamente, vivem suas vidas bucólicas, alienadas, imaginando e sonhando com elas, as divas cariocas, que conseguem mover seus corpos, ao ritmo de um som estranho, emitido por caixas e cordas, algo ainda desconhecido de nós, pobres mineiras, que não sabemos sambar?
Eu, pessoalmente, não tenho o samba no pé, não fui iniciada nessa arte, não foi essa a minha formação, mas, tenho o samba no sangue e conheço inúmeras sambistas, divinas, todas mineiras.
Quero crer que essa apresentadora, no momento de suas entrevistas, estava pedindo uma dica de samba para si própria, o que seria perfeitamente compreensível e notório, mas, não poderia se apossar de forma arbitraria e antiética, usando as mineiras.
A apresentadora deveria conhecer um pouco a história do samba de Minas Gerais, antes de se apoderar, indevidamente, desse poder de colocar as mineiras expostas ao compadecimento das sambistas cariocas.
Tudo isso aconteceu em um programa, cuja chamada era reverenciar a História das Velhas Guardas do Samba de Uberlândia, motivo pelo qual eu resolvi assistir e, lamentavelmente, a apresentadora não aprendeu nada daquilo que foi exposto ali por aquelas pessoas admiráveis e, dignas representantes do samba em nossa cidade.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
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