O filme é baseado em fatos reais, a história de amor entre Pierre Abélard (1079-1142) teólogo e filósofo francês, nascido em Le Pallet, perto de Nantes, considerado um dos maiores intelectuais do século XII e sua aluna Héloise (1100-1164), sobrinha do cônego Fulbert, aconteceu em um momento, onde a igreja católica era a principal referencia na vida das pessoas e detentora de enorme poder político. Professores de filosofia deviam ser celibatários, portanto, Abelardo e Heloísa eram impedidos pela igreja de assumir seu romance. Após ser castrado ele se tornou monge no mosteiro de Saint-Denise, onde continuou lecionando, e ela freira em um convento de Argenteuil.
RESENHA
As duas cenas, do filme, que mexeram muito comigo, respectivamente, foram as cenas de sexo, entre Abelardo e Heloisa, no estábulo e quando Heloisa procura o tio para amaldiçoá-lo.
Na primeira, me emocionei pelo sabor do secreto, aquilo que não pode ser contido e precisa ser escondido, mas, devido ao próprio envolvimento de paixão em que se encontram, eles não se asseguram desse segredo. Não tomam as devidas precauções porque estão em estado de encantamento, onde, em nome desse amor estão cegos para o perigo, mesmo sabendo que ele existe.
Esse sentimento de abrir a guarda, ficar vulnerável, ser tomado por uma paixão inconseqüente, no caso de Abelardo, contrário a tudo aquilo que dantes ele acreditava e pregava.
De repente, ele é sucumbido ao golpe inesperado do amor, buscando qualquer lugar onde possam estar juntos, seja em local confortável e apropriado ou, em um estábulo, no chão cheio de estrumes, moscas, cheiro de animais que, na realidade naquele momento eles são, verdadeiramente, levados apenas pelo instinto animal que existe em todos nós.
Na segunda cena, também muito forte, estimulada pelo ódio, outro sentimento tão poderoso quanto o amor da primeira cena, Heloisa joga sobre o tio sua maldição pelo resto de sua vida e por toda a eternidade, desejando que ele queime no fogo do inferno por todo o sempre, porque foi a causa de sua infelicidade. Foi ele quem mandou castrar o homem que ela amava, condenando-os a mais cruel vida, pois, castrou não apenas a parte física, mas, principalmente, todos os sonhos e desejos que alimentavam aquele amor.
A amizade incondicional de um dos alunos e amigo de Abelardo, Jourdain, que, também, amava Heloísa, mas, renunciou a esse amor por saber que ela nunca deixaria de amar o professor. Apesar disso, Jourdain continuou acompanhando-os e auxiliando-os sem esperar nada em troca, se tornando ainda protetor do filho que eles tinham deixado com a irmã de Abelardo, sendo por ela criado.
Falar sobre amizade e fidelidade nos dias atuais nos faz pessoas melhores, diante de tantos valores esquecidos e pouco usuais. Quando assistimos cenas, mesmo que fictícias, enaltecendo esses sentimentos, precisamos divulgar e refletir sobre isso.
A fidelidade religiosa de Abelardo é comovente. Após ser mutilado e sofrendo dores terríveis, ele se voltou pra Deus e disse ser merecedor do castigo. Mesmo quando estava tendo relações sexuais com Heloísa, ele conservava essa fidelidade a Deus e se sentia culpado.
Após a castração, entendeu que aquilo foi uma punição e entregou sua vida, definitivamente, ao desenvolvimento de sua religiosidade.
É lindo ver a forma que o professor lidava com seus alunos, em um clima de liberdade e cumplicidade, sem sala de aula, sem carteiras, andando entre os educandos, filosofando, instigando o debate. Seu modo de lecionar, bem liberal pra época, provocava raiva e inveja em alguns religiosos, mas, recebia o apoio do Bispo por trazer pessoas a Paris para conhece-lo, portanto, estimulava os negócios da igreja.
O filme é belíssimo, com fortes cenas de amor e dedicação humana, tanto do lado de Heloisa, que mesmo não gostando e contestando as crenças da igreja católica, se entregou ao convento por amor a Abelardo, quando esse lhe pediu para ela se tornar freira. Heloísa fez um trabalho muito importante dentro do convento, protegendo as demais freiras, notadamente, as mais idosas.
Por outro lado, Abelardo nos dá testemunho de extrema dedicação a igreja e a educação, prosseguindo sua tarefa como educador, sempre acompanhado por seus alunos, seus seguidores fiéis.
Sempre que assistimos algum filme, aprimoramos nosso olhar, não apenas com relação aos processos educativos, mas, em relação a própria vida. A educação está presente em tudo, tanto na vida real quanto na ficção, estamos sempre envolvidos com esse processo.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
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O melhor filme que já vi. Sabia dedução Celena.
ResponderExcluirO melhor filme que já vi. Sabia dedução Celena.
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